A Síndrome do Impacto Ísquiofemoral (S.I.I.F.) é uma condição muito comum e que causa dores na região do quadril e nos glúteos. Algumas pessoas podem nascer com o osso do fêmur mais próximo do da bacia, assim, elas podem ter mais predisposição para ter um maior “atrito” entre esses dois ossos. Quando ocorre o impacto, o músculo quadrado femoral, que fica bem no meio deles, é comprimido entre o trocânter menor (uma parte do fêmur) e o ísquio (um osso da pelve) (Figura 1).

O atrito entre os ossos pode ser agravado durante as atividades diárias, principalmente a caminhada e o ato de subir e descer escadas. À medida que vai ocorrendo o enfraquecimento dos músculos glúteos, ocorre uma redução ainda maior durante o movimento, pois os glúteos mais fracos não conseguem evitar que os ossos se aproximem, pela falta de sustentação da pelve. Essa maior redução do espaço, causada pelo movimento, acaba gerando danos importantes nos tecidos que estão próximos aos ossos, como o músculo quadrado femoral, tendões isquiotibiais e o nervo ciático (Figuras 2 e 3). A atrofia muscular que ocorre com a idade, fazendo com que diminua proteção dos glúteos (costumo explicar no consultório que “perdemos a almofada dos glúteos”), faz com que os pacientes fiquem sentados diretamente sobre a lesão, aumentando ainda mais o desconforto e a dor. O atrito também pode ocorrer em atletas que praticam atividades de impacto e não possuem uma anatomia adequada ou um músculo muito fraco para aquela atividade que pratica.

A síndrome do impacto ísquiofemoral é uma das principais causas de dores na região glútea profunda não discogênica, ou seja, sem relação com a coluna.

Figura 1: Imagem obtida através de exame de Ressonância Magnética (RM), demonstrando a redução do espaço entre o fêmur e a pelve (linha vermelha).

 

     

Figura 2: Corte axial de RM, demonstrando a redução do espaço entre o fêmur e a pelve (círculo vermelho). Figura 3: Corte de RM em T1 evidenciando em cinza o fêmur, em vermelho o músculo quadrado femoral, em amarelo o nervo ciático, em branco os tendões isquiotibiais e, em azul, o osso da pelve.

 

Causas

A S.I.I.F pode ser causada por várias razões, incluindo:

  • Alterações na anatomia óssea do fêmur ou da pelve, gerando a redução entre o trocanter menor e o ísquio, conhecido como espaço isquiofemoral (E.I.F.).
  • Alterações na amplitude de movimento do quadril, como extensão e flexão limitadas.
  • Fraqueza muscular, principalmente dos músculos glúteos médio e mínimo.
  • Cirurgias anteriores no quadril, como artroplastia total ou osteotomia do fêmur.

Sintomas

Os sintomas da S.I.I.F. incluem:

  • Dor crônica na região glútea, que pode se espalhar para a virilha e nádegas.
  • Limitação ao sentar e realizar atividades físicas, como caminhar. Normalmente os pacientes não conseguem ficar sentados mais do que 20 a 30 minutos em cadeiras ou, até mesmo, para dirigir.
  • Sensação de estalidos, crepitação e travamento no quadril (principalmente para dar passos largos).

Diagnóstico

O diagnóstico da S.I.I.F. geralmente é feito através de exames de imagem, como radiografias e ressonância magnética (RM). A RM é especialmente útil para identificar anormalidades musculares e outras alterações anatômicas.

Tratamento

O tratamento da S.I.I.F. pode ser conservador ou cirúrgico:

  • Conservador: Inclui fisioterapia, fortalecimento dos músculos abdutores (glúteos) e estabilização da pelve (core). Medicamentos anti-inflamatórios e modificações nas atividades diárias também são recomendados. Enquanto um paciente estiver nas crises de dor, não é recomendado fazer caminhada ou subir e descer escadas. O fortalecimento demora pelo menos três meses para ajudar a melhorar os sintomas do impacto.
  • Bloqueios (infiltrações): Em casos que não melhoram com o tratamento conservador, pode-se realizar o bloqueio do E.I.F. guiado por ultrassonografia.
  • Cirúrgico: Em casos mais graves, pode ser necessária a ressecção do trocanter menor por via endoscópica (câmera de vídeo) ou outras intervenções cirúrgicas, como osteotomias de derrotação do fêmur.

 

Se você apresenta alguma dessas condições procure um médico ortopedista para o devido acompanhamento e tratamento !!!!!!!!

 

Dr Luiz Henrique Silveira Rodrigues

CRM 116403 RQE 29512

Médico Ortopedista Membro da Sociedade Brasileira de Quadril

Membro da The Hip Preservation Society

Exercer a profissão que escolheu é para o Dr. Luiz Henrique uma grande honra e satisfação.

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